Quinta-feira, 23 de Novembro de 2006
Touro e relacionamentos
Segundo a abordagem jungiana, Sol e Marte corresponderão à imagem que os homens têm de si, sendo Vénus e Lua a imagem procurada nas mulheres, passando-se com estas o inverso. Definir alguém como Touro enquanto pessoa que se relaciona amorosamente é sempre tarefa algo ingrata, sobretudo porque os aspectos que Vénus (planeta regente do signo) recebe não podem ser caracterizados exclusivamente pelo signo de Touro, porque Vénus também rege o signo de Balança. Podemos mais facilmente afirmar que uma Vénus é Plutónica quando em Escorpião ou em aspecto com Plutão, uma Vénus taurina é aquela que está em Touro e em menor dimensão na casa 2, podendo também afirmar-se que o indivíduo tem apetência para se relacionar com Touros quando a cúspide da casa 7 (relacionamentos) está em Touro (Ascendente em Escorpião).

Vénus, quando visto de uma forma tradicional tem uma dinâmica um pouco diferente nos homens e nas mulheres. No homem simboliza aquilo que o atrai numa mulher, na mulher, aquilo com que atrai o homem. Se as armas de sedução femininas são venusianas (Touro como segurança material e a problemática da escolha feminina do parceiro com estatuto sócio-económico estável), as do homem são efectivamente mais marcianas, no entanto ressalvo que isso é de um ponto de vista tradicional, à medida que cada ser se individualiza e integra maiores facetas da sua personalidade, vai perdendo a "projecção" no Outro das suas características. Desse modo um homem que desenvolveu a sua Vénus em Escorpião também "usará" ou mostrará facetas suas que atrairão.

Creio que essa atitude de desenvolvimento pessoal pode no entanto conduzir a alguns problemas a saber: autonomia, aquele que desenvolve em si as várias facetas da sua personalidade, sente-se mais completo, não "projecta" as suas necessidades no Outro, se por um lado pode tornar o seu espectro de atracção mais amplo, por outro lado não sente tanta necessidade de o fazer, porque se sente mais preenchido interiormente, por paradoxal que pareça. Outra questão prende-se com o facto do desenvolvimento pessoal trazer maior amplitude de relacionamentos pelo facto da pessoa estar mais aberta, mas por outro lado existir uma identificação com pessoas que tenham em si também níveis de preenchimento e satisfação, que também tenham algum trabalho interior de desenvolvimento, ou seja, novo paradoxo, aparentemente as escolhas alargam-se, mas estreitam-se em simultâneo.

Mas vejamos algumas tramas taurinas, a relação Touro promete sempre alguma estabilidade, confiabilidade, solidez, sensualidade, se essas são as faces positivas, o seu reverso pode muito bem ser a possessividade, como incapacidade para permitir ao outro a individuação (Quadratura com Aquário) e que torna a relação palco de cegueira total perante a razão. Uma necessidade de segurança que elimina todo o sentido de construção e elaboração do novo (Oposição com Escorpião), baseada numa teimosia intratável. Uma atitude ciumenta, baseada num fraco sentido de auto estima (Quadratura com Leão) que é fruto duma obsessão oportunista com o físico e com o material, rejeitando qualquer aproximação ao espiritual ou ao intangível.

A fidelidade parece ser algo bem estruturado no signo, vejo isso pelos homens Touro que de modo geral, mesmo perante a adversidade da sedução, a aceitam mas não caem nela, e ambos os sexos deste signo são geralmente muito atraentes, o que conduz sempre a situações de exposição à sedução, poucos mais signos se podem orgulhar desse atributo. A fidelidade aqui talvez tenha de facto a ver com a posse, os indivíduos sentem as pessoas como suas, mas também se sentem delas, não é tanto uma questão de equilíbrio do relacionamento como em Balança, que não é infiel apenas para não desequilibrar. No entanto, se o parceiro é infiel, podem-se tornar vingativos e a infidelidade pode ocorrer como modo de reconstruir uma auto estima abalada, tornando-se desejados por terceiros.

A disposição do signo é usualmente uma de introspecção, de olhar interior que tenta prescutar o "quem sou eu", tentando perceber de que é que necessitam para dar sentido às suas vidas. Outra dinâmica é a do auto sustento e da estabilização (após a fúria experimental de Carneiro), que leva à compreensão do facto de que se devem apoiar unicamente neles próprios para avançar (atenção aos nodo norte na casa 2, que devem perceber muito bem esta dinâmica), o seu "equipamento" natal confere-lhes a capacidade para enfrentar obstáculos e vencer resistências que obriguem ao confronto consigo mesmo e com as suas forças. Através da análise do que valorizam percebem o que é necessário para eles, o seu sentido da vida está profundamente imbuído nos seus valores, pelo que existem vários perigos a) de que esse sistema de valores se torne demasiado rígido b) de que seja o seu sistema de valores, o referencial para a relação com o Outro. Se não existe ponto de contacto entre os sistemas de valores do Touro e do Outro, o Touro torna-se "autista", incapaz de se relacionar, minando a sua própria evolução.

Ao atribuírem valor e significado a outra pessoa, desejarão mantê-la em sua posse, é sempre complicado "largar" algo que tenha sentido ou valor para um Touro, porque isso está directamente relacionado com o seu sentido e significado último de vida. Outra ameaça ao relacionamento é a necessidade desesperada de controlo, podendo dar origem não só ao ciúme, mas ao "retraimento" e ao isolamento como medidas punitivas ou retaliatórias. Ao ser assim, provavelmente atrai pessoas idênticas, fechando um círculo algo vicioso de atracção por pessoas que limitam o desenvolvimento, que não abraçam as causas mútuas, que são simples troféus para expor na parede. No entanto se essa pessoa tiver valor e significado para o Touro, ele permitirá que isso aconteça, independentemente das consequências, é a estabilidade e a segurança a qualquer preço, ainda que isso possa contribuir para a acumulação de ressentimento devido a esse condicionamento, situação que pode originar confrontos emocionais explosivos.

O movimento de abertura relacional é um processo doloroso para este nativo, envolve quase sempre a perda e dificilmente o nativo se questiona sobre a raiz do acontecimento. Os signos fixos, dos quais Touro faz parte, têm algumas dificuldades no movimento de auto-questionamento, o qual é deixado aos signos mutáveis que se seguem aos fixos. Deepak Chopra afirma que "se o Universo não está a ir de encontro às nossas aspirações, devemo-nos questionar do que é que está a correr mal connosco", por vezes traduzo isso com o facto de nem sempre as respostas estarem erradas, as perguntas é que não estão certas! A relação dá-nos sempre uma chance de nos questionarmos interiormente, de percebermos quem somos, de evoluirmos na dança entre 2 pessoas. Já reparam como existe falta de harmonia e beleza quando apenas um dança e o outro não facilita?


Publicado por Paula Valentina às 16:32
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