Sexta-feira, 10 de Agosto de 2007
TEXTO SOBRE ASTROLOGIA PSICOLÓGICA

por Márcia Ferreira da Silva
 

Um breve histórico de como a astrologia caminhou durante os milênios até se chegar no que hoje se chama de Astrologia Psicológica:

Os registros sobre astrologia datam de 4.000 AC, ou seja, há mais de 6.000 anos, e este conhecimento partiu de uma observação dos eventos celestes em relação aos acontecimentos terrestres...

As civilizações naquela época eram essencialmente agrícolas e a observação dos fenômenos celestes se mostrou muito útil para prever, por ex., a melhor época para plantios, ou em que época haveriam enchentes, os eclipses por ex.  eram tidos como maus presságios, que determinada posição do planeta marte deflagrava guerras, e assim por diante...eles começaram a estabelecer essa relação de sincronicidade entre os eventos terrestres e celestes e percebiam que haviam ciclos e que muitas coisas se repetiam nesses ciclos...

Desde então a astrologia nunca deixou de existir seja no Egito e Grécia antigos, seja entre os gregos e romanos na virada de milenio,  entre os árabes da Antiguidade, depois na Europa na Idade Média, no Renascentismo onde tivemos todos aqueles expoentes que além de físicos e matemáticos também eram astrólogos: Copérnico, Nostradamus, Galileu Galiei, Kepler, Newton, só para citar alguns...e durante todos estes milênios ela teve seus altos e baixos, e continua presente até os dias de hoje.

Só que durante todos estes milênios,  a astrologia se apresentava de uma maneira mais preditiva, isto é, mais voltada para os acontecimentos externos, ( o que é  a grande diferença em relação a astrologia psicológica ) e é assim , desta maneira preditiva, como ela é popularmente mais conhecida até os dias de hoje também.

A partir do fim do século XIX, os estudos dos aspectos psicológicos do ser humano se intensificaram. Surgiu Freud no começo do século XX e, com ele, a descoberta do inconsciente. Os processos inconscientes da psique humana tornaram-se então conhecidos.

Carl Gustav Jung,  que foi um discípulo de Freud,  reconheceu o potencial da astrologia como uma ferramenta para se explorar a mente…ele mesmo afirmava que a astrologia teria muito a oferecer à psicologia. Ele entendia a astrologia como uma correlação de sincronicidade entre os fenomenos psicológicos e os eventos astrológicos.

Já a partir do século XX, mais precisamente a partir de 1930, a astrologia então começa  a ganhar um novo enfoque, que seria então, este enfoque com caráter mais psicológico:

Dane Rudhyar , que foi um psicólogo, astrólogo e filósofo americano, começou a reformular a astrologia moderna usando como base  a psicologia analítica de Jung.  Ele se focalizou principalmente na idéia de Jung de que a psique era o conjunto de forças opostas em equilíbrio e que deveriam evoluir  em direção a sua inteireza, um processo que Jung chamava de individuação, sobre o que falaremos mais um pouco adiante.

Rudhyar foi o primeiro a reconhecer como a astrologia e a psicologia humanista se completavam.  Descobriu que o o mapa, então, poderia ser usado como um instrumento para estudar o complexo mundo interior que os psicólogos humanistas, a qual grupo ele pertencia,  estavam começando a explorar. Também faziam parte deste grupo e desta visão, Alan Leo e Charles Carter, outros astrólogos e depois, mais recentemente, Liz Greene.

Já chegando então, nesta visão do Jung, e principalmente pela teoria dos arquétipos , (que foi uma contribuição dele também) , é que nós aqui do CEAP nos juntamos a este pensamento de entender a astrologia com este enfoque psicológico e arquetípico; e o que seriam arquétipos? arquétipos seriam padrões, matrizes, idéias arcaicas, que estão presentes na psique de todos os seres humanos e que são a matéria prima dos sonhos, das artes, dos mitos, de tudo o que é criado pelo homem, e são transmitidos pelo inconsciente coletivo. Independente da civilização e da época, estes símbolos permanecem.

O mapa astrológico é então desta maneira enfocado: como  um agrupamento de símbolos arquetípicos , que na linguagem astrológica são os planetas, signos, etc...e que para cada pessoa se dá uma configuração específica e que o astrólogo então irá traduzir, interpretar estes símbolos.

O mapa seria então um raio-x daquela personalidade, daquela configuração energética , assim como uma impressão digital, este é o enfoque que tentamos transmitir desde o 1º dia de  aula do curso básico do CEAP: por isso justamente o mapa se configurar como uma excelente ferramenta de psicodiagnóstico, uma ferramenta para se ter um diagnóstico psicológico muito profundo .

É um enfoque em relação à astrologia muito mais de dentro para fora do que de fora para dentro; eu brinco com meus alunos que não é que o planeta emitiu um raio e atingiu a pessoa e por isso que ela é assim, e sim porque esta configuração arquetípica estava presente naquele momento.

O princípio fundamental da astrologia é a máxima “assim em cima como em baixo”, ou seja, esta correlação entre o cosmos e um nascimento específico numa determinada hora e num determinado lugar. O cosmos estaria então espelhando a psique...não é uma relação causal, como é comum de se ver na ciencia, e sim de sincronicidade , do microcosmos contendo a informação do macrocosmos, de que há esta unicidade entre o que está indicado no céu e a personalidade em potencial; assim como em muitas descobertas recentes da física quantica, que  cada parte conteria o todo a nível de informação...da mesma maneira, para nós em astrologia, o microcosmos estaria contendo a informação do macrocosmos.

Gosto também de usar em aula para explicitar esta compreensão a frase de um guru oriental, Yogananda: “ a alma só desce à matéria quando existe harmonia matemática entre o cosmos e o karma individual”, ou seja, existe este momento e lugar específico para o nascimento de um ser.

E para completar então nossa visão em relação à astrologia psicológica, o mapa funciona então como o próprio nome diz, como um mapa, um roteiro para esta jornada desta alma, para esta vida; é como se no meio a um trajeto escuro tivéssemos então uma bússola e uma lanterna nos mostrando o caminho e a direção a tomar ( através da leitura do mapa).

Voltando então àquele enfoque mais tradicional e mais preditivo em relação à astrologia, uma previsão neste enfoque de astrologia psicológica , pode ser feita da mesma maneira, partindo-se do princípio de que o mais importante não é o incidente externo em si, e sim o seu significado; um determinado aspecto ou transito pode se manifestar de várias maneiras e mesmo sem sabermos exatamente qual será a manifestação física, podemos prever com bastante precisão a qualidade  e o significado daquele momento.

O mais importante não é a manifestação física que pode assumir várias roupagens, mas sim, o significado psíquico.

E ainda, voltando àquela colocação do Jung sobre o processo de individuação, que seria o indivíduo tornar-se si mesmo, e com a compreensão da psique como sendo um conjunto de forças psíquicas que deveriam caminhar em direção a uma inteireza que é o processo de individuação, o mapa sinalizaria esta jornada, o que pode ser extremamente útil quando se pretende uma revelação da alma humana.



Publicado por Paula Valentina às 23:22
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